Gestação e câncer de mama: como se relacionam?

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Outubro Rosa é a campanha contra a prevenção do câncer de mama e, pensando nisso, todo cuidado é importante. Então, trouxemos algumas informações fundamentais para as futuras e atuais gestantes e puérperas. Continue lendo este artigo para descobrir tudo sobre.

Gestantes podem desenvolver câncer de mama?

Apesar do câncer de mama ser um dos tipos de câncer que mais acometem o sexo feminino, é raro de se desenvolver ao longo da gestação, podendo ser diagnosticado em 1 a cada 3000 gestantes. Porém, quando acontece, é denominado “câncer de mama associado à gravidez” e mesmo apresentando uma taxa baixa, é o tipo mais comum que ocorre entre grávidas e puérperas. Contudo há possibilidade de realizar exames em gestantes.

Quem já teve ou tem câncer de mama pode engravidar?

A gestação em pessoas que tiveram câncer de mama pode variar de acordo com diversos fatores, mas há possibilidades e que ocorra pelo processo natural.

No entanto, determinados tratamentos e uso de medicamentos específicos podem prejudicar os ovários e afetar significativamente a fertilidade do paciente, podendo gerar fertilização, como o uso do tamoxifeno na quimioterapia.

Em casos de tratamento por bloqueio de hormônios também pode afetar a fertilidade, mas segundo a ginecologista cirurgiã do IBCC, Mariana Forghieri, caso seja reversível e a menstruação volte, a gestação se torna possível.

Uma opção orientada para os pacientes antes de iniciar o tratamento é a possibilidade de congelar os óvulos para casos de dificuldade futuramente.

O início do plano gestacional pode ser logo após a complementação, como também pode ser liberado após 2, 5 ou até mesmo 10 anos. Pois cada caso varia, demandando acompanhamento profissional de médicos.

Em termos de saúde para o futuro bebê, pacientes que já estão liberados para engravidar não correm o risco de influenciar na formação e, de acordo com a Sociedade Americana do Câncer, os riscos de defeitos congênitos em bebês concebidos em gestantes que tiveram a doença é o mesmo para quem não teve.

Quem já teve ou tem câncer de mama pode amamentar?

Puérperas que foram diagnosticadas com câncer de mama e tiveram seu tratamento finalizado podem realizar o aleitamento. Em casos de mastectomia em uma das mamas e a outra não sofreu alterações, é possível amamentar.

Já para os pacientes que recorreram pela retirada parcial, dependendo do procedimento cirúrgico, manifestação do câncer e o tratamento utilizado pode ter certas dificuldades na amamentação, pois há casos em que os dutos que levam o leite ao mamilo são alterados ou ocorre a redução de produção de leite. Há possibilidades de haver alteração na estrutura mamária, fator que pode dificultar o processo e até mesmo torná-lo doloroso.

Para os pacientes que ainda estão no processo de tratamento oncológico, não é recomendado que amamente devido aos medicamentos utilizados, que podem suprimir a lactação ou pode ser passado para o bebê ao ser secretado no leite, consumindo-o. Outro efeito que pode ocorrer é o aumento de toxinas da pele das mamas através da sucção produzida pelo bebê.

Nos casos onde apenas uma mama foi afetada, ela fica do mesmo tamanho ou aumenta de forma limitada, enquanto a outra mama saudável cresce e se desenvolve naturalmente.

Para todos os casos, é essencial sempre conversar e acompanhar com os médicos especialistas, seguindo suas orientações.

Benefícios da amamentação

Estudos afirmam que a amamentação proporciona inúmeros benefícios, não só para o bebê, mas para a puérpera também, oferecendo proteção extra.

O principal benefício é na redução de taxas de câncer de mama e ovário. Foi comprovado que, quanto mais prolongada a amamentação for por gestação, o risco de desenvolver a doença ao longo da vida se torna menor. Isso ocorre porque ao bebê sugar o leite, a movimentação gera uma espécie de esfoliação do tecido mamário, levando as células do ducto mamário a sofrerem maturação e ficarem mais protegidas a alterações celulares. Outro motivo para isso ocorrer é pela diminuição na concentração de estrogênio circulando, um dos hormônios responsáveis por favorecer o aparecimento dos tipos comuns de tumor na mama.

Outros benefícios são a recuperação do parto com maior rapidez e facilidade, prevenção da anemia materna, contribuição na normalização uterina e diminuição do sangramento vaginal pós parto, uma vez que o aleitamento libera a ocitocina, hormônio do amor.

A amamentação também auxilia na prevenção de inflamações pós parto, sendo a mais recorrente a mastite, aumenta o vínculo materno com o bebê e consequentemente, diminui as chances de depressão pós parto.

Por conta do alto gasto calórico, amamentar facilita o combate à hipertensão arterial, artrite reumatóide, colesterol alto e outras doenças cardiovasculares, além de reduzir as chances de desenvolver diabetes, em específico tipo 2.

Bônus: homens também podem ter câncer de mama

Muito se fala no desenvolvimento do câncer de mama feminino, mas há também a possibilidade de ocorrer em homens, uma vez que também possuem glândulas mamárias e hormônios femininos, mesmo que em pequena quantidade.

No entanto, por conta da mama masculina ser um órgão pequeno, esse tipo de câncer é mais raro entre os homens. De acordo com pesquisas, 1% dos casos de câncer de mama é masculino. Ainda assim, ele pode se desenvolver, sendo mais comum em homens acima de 60 anos e mais frequente quando há histórico na família de câncer de mama, independente do gênero acometido, e de ovário.

Por ser um grupo onde a incidência é rara, os principais exames de rotina, como a mamografia, não são realizados, com exceção de queixas. Para isso, é imprescindível estar atento ao próprio corpo e possíveis alterações como caroços, retrações e secreções na região do mamilo e dor unilateral na mama. Contudo, alguns sintomas também podem ser apenas ginecomastia, diagnóstico mais comum, que se trata de um aumento benigno da glândula mamária sem risco de câncer. Por isso, vale a pena sempre consultar um profissional.

O tratamento pode incluir mastectomia total, quimioterapia, radioterapia e bloqueio de hormônios.

Dicas de autocuidado

Pensando no seu bem estar, separamos as seguintes dicas para desenvolver o autocuidado:

  • Tenha uma alimentação balanceada e rica em frutas, verduras e legumes
  • Dê preferência a alimentos orgânicos e produtos eco-friendly, livres de químicos e componentes agressivos
  • Trabalhe a saúde emocional com terapias e rotinas de exercícios físicos
  • Tenha um sono de qualidade, descansando o corpo e a mente

Não deixe de se cuidar e continue acompanhando as últimas informações sobre o mundo da saúde no blog da Central!

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