Boate Kiss: como a fisioterapia ajuda no tratamento das vítimas

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A fisioterapia pode ser uma grande aliada no tratamento de sobreviventes de grandes tragédias. Veja como as vítimas da tragédia da Boate Kiss estão se recuperando graças à fisioterapia.

O papel das equipes médicas é fundamental na hora de minimizar os danos causados por grandes tragédias e acidentes. No caso da Boate Kiss, os profissionais de saúde foram indispensáveis tanto no atendimento imediato após a tragédia, quanto no tratamento contínuo que muitos sobreviventes ainda precisam realizar.

Depois de tragédias como a da Boate Kiss, os traumas físicos e psicológicos gerados para as vítimas são muitos. Esses traumas exigem tratamentos contínuos muitos anos com médicos, psicólogos, fisioterapeutas e especialistas das mais diversas áreas. A fisioterapia foi e ainda é uma aliada de boa parte das vítimas, que hoje a utilizam como uma forma de melhorar a qualidade de vida mesmo após um episódio tão traumático. 

O que foi a tragédia da Boate Kiss

No dia 27 de janeiro de 2013, um incêndio destruiu uma casa noturna na cidade de Santa Maria, RS, deixando 242 mortos e mais de 636 feridos. O caso foi uma tragédia sem precedentes na cidade, mexendo com a vida dos moradores e desencadeando um processo judicial que se arrasta por uma década, ainda sem conclusões sobre os verdadeiros responsáveis.

Os sobreviventes e as famílias das vítimas ainda vivem com a lembrança de uma noite que, devido a uma sucessão de erros humanos, terminou em uma das maiores tragédias da história do Brasil.

Com documentários relembrando a noite fatídica e uma série ficcional na Netflix baseada no livro de Daniela Arbex, que recontam a história do acidente recentemente lançados, o debate sobre o que realmente aconteceu e o destino das vítimas retornou aos olhos da mídia. 

Como foi e como está o tratamento das vítimas

O atendimento às vítimas teve início  logo após a tragédia e aconteceu com rapidez e eficiência. Em menos de cinco minutos após o primeiro chamado, equipes do corpo de bombeiros já se encontravam no local, juntamente com paramédicos e viaturas da polícia. Eles fizeram o primeiro atendimento e encaminharam as vítimas para hospitais municipais da região. 

Nas primeiras 48h após a tragédia, foi criado o Centro Integrado de Atendimento às Vítimas de Acidentes (Ciava), núcleo do Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM) que contou com uma equipe multidisciplinar a qual atendeu as vítimas sobreviventes e familiares.  

Mesmo depois de 10 anos, o tratamento de algumas vítimas continua. Ele inclui acompanhamento psicoterapêutico, tratamento com pneumologistas,  assistentes sociais, pediatras, fisioterapeutas e enfermeiros. 

Boa parte do atendimento foi e ainda é feito no Ciava, que hoje presta apoio para diversas equipes hospitalares, sendo referência internacional no atendimento a vítimas de acidentes.

Em casos como o da Boate Kiss, que teve uma repercussão internacional e é revisitado com frequência pela mídia, o cuidado com a saúde das vítimas é ainda mais delicado, já que envolve questões psicológicas que são essenciais no andamento dos tratamentos. 

O tratamento fisioterapêutico e fonoaudiológico é responsável por boa parte da reabilitação dessas pessoas. Elas recuperaram boa parte de sua qualidade de vida realizando sessões periódicas

Como a fisioterapia ajuda no tratamento de doenças respiratórias causadas por inalação de fumaça

A fisioterapia respiratória é uma ferramenta bastante utilizada no tratamento de casos em que há insuficiência respiratória causada por inalação de fumaça. No caso da Boate Kiss, muitas das vítimas vivenciaram uma inalação de cianeto, que prejudicou as funções pulmonares e cardíacas, levando a sequelas e lesões que necessitam de tratamento constante e reabilitação da capacidade respiratória. 

Segundo o fisioterapeuta, fundador e coordenador técnico de fisioterapia da Central da Saúde, Rodrigo Peres, “A fisioterapia respiratória (pulmonar) utiliza manobras, exercícios  e até aparelhos específicos para  auxiliar na higiene brônquica e no aumento do fluxo respiratório, recuperando a capacidade pulmonar, proporcionando melhor distribuição de oxigênio para todo o organismo e mantendo o funcionamento normal dos órgãos vitais e sistema musculoesquelético”.

Quanto tempo dura o tratamento de fisioterapia respiratória?

Segundo Rodrigo, no caso do tratamento respiratório, a recuperação pode ser mais rápida. “Em relação ao trato respiratório, a recuperação se torna mais rápida. É claro que vai depender também da quantidade de fumaça inalada  e do quanto os pulmões foram prejudicados.” 

Inicialmente os indivíduos nesta situação podem até ficar intubados, permanecendo em coma induzido por mais tempo. Pode acontecer traqueostomia, tempo imóvel, nível de consciência, falta de colaboração e outras questões que prolongam a recuperação respiratória. 

Como estamos falando do tratamento de sobreviventes, normalmente essas vítimas respondem bem aos tratamentos propostos. O tempo varia muito e o ideal é que seja realizado diariamente, acelerando o processo de recuperação.”

Logo, percebemos que o tratamento para essas vítimas passa diretamente pela fisioterapia, já que ela devolve qualidade de vida e restaura a possibilidade de realizar algumas atividades que foram comprometidas pela inalação de fumaça. 

Como a fisioterapia ajuda no tratamento de queimaduras?

Algumas vítimas da Boate Kiss também sofreram queimaduras leves, moderadas e graves que prejudicaram o funcionamento motor. Nestes casos, a fisioterapia motora foi uma grande aliada, já que ajudou a restaurar uma boa parte da mobilidade e funcionalidade de regiões que estavam debilitadas pelas queimaduras

“A fisioterapia dermato-funcional atua no tratamento das queimaduras de pele, porém depende muito do grau de lesão tecidual, auxiliando na cicatrização e a manter a pele com maior elasticidade, evitando rigidez nas regiões cicatrizadas após a queimaduras”, explica Rodrigo. 

“A fisioterapia motora também tem papel fundamental no tratamento de queimados, uma vez que a retração da pele queimada pode consequentemente diminuir e/ou limitar os movimentos das articulações, estimulando a recuperação das mesmas e realizando treinamento de marcha para que a pessoa volte a andar (mas isso depende muito do grau de queimaduras e a dimensão de áreas corporais afetadas).”, diz o profissional sobre a importância da fisioterapia no tratamento e reabilitação de pessoas que sofreram queimaduras.

Quanto tempo dura o tratamento de fisioterapia para queimaduras?

De acordo com o fisioterapeuta, “o tempo de tratamento depende muito da gravidade de cada caso e depende do nível e grau de sequelas que a pessoa queimada apresentar. 

“Existem pacientes com queimaduras leves e em regiões corpóreas que não afetam os movimentos, nestes casos, a recuperação será mais rápida, cerca de alguns meses, considerando a cicatrização das queimaduras e início do tratamento de rigidez tecidual.

“Já em casos mais severos, onde a dimensão das queimaduras pode afetar o corpo todo, o tratamento se torna mais extenso, podendo levar anos. “É muito difícil afirmar o tempo exato da recuperação de pacientes queimados. Vai depender também das condições e estrutura que o mesmo irá receber. Não é um tratamento fácil e requer especialistas que diariamente irão atuar em todo o processo de reabilitação”, aponta Rodrigo. 

O que podemos aprender com o acidente da Boate Kiss?

O acidente da Boate Kiss foi um divisor de águas na forma com que os protocolos de segurança de eventos são construídos, modificando a legislação e reforçando a sua importância. A tragédia aconteceu por conta de uma série de erros e negligências que poderiam ter sido evitados caso a equipe de segurança, donos e prestadores de serviço tivessem considerado os riscos de realizar o evento nas condições que foram realizados.

Apesar da tragédia, também aprendemos o quanto um atendimento médico eficiente pode reduzir os danos e recuperar vítimas após grandes tragédias como o da Boate Kiss. 

A fisioterapia é uma grande aliada no tratamento de vítimas de acidentes e, neste caso em específico, garantiu que pudessem ter qualidade de vida mesmo após lesões respiratórias e motoras graves. Aliada ao tratamento psicoterapêutico, ajudou na recuperação do trauma sofrido por essas pessoas.


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